A Salvação em Três Tempos

A Salvação em Três Tempos

 A Salvação em Três Tempos   “E aos que predestinou, a esse também chamou; e aos que chamou, a esse...

A Salvação em Três Tempos

 A Salvação em Três Tempos

 

“E aos que predestinou, a esse também chamou; e aos que chamou, a esse também justificou; e aos que justificou, a esse também glorificou.” Romanos 8.30

 

A nossa salvação é um fato consumado, um processo e uma promessa, uma gloriosa obra de Deus.

 

Salvação é um termo muito amplo, Scofield em seu comentário sobre Romanos 1.16, resume o termo da seguinte forma:

 

 “As palavras hebraicas e gregas para salvação implicam as ideias de segurança, conservação e santidade”.

 

 A Salvação reuni em si todos os atos e processos redentivos como justificação, santificação e glorificação.

 

É importante olhar tanto com a alma, como com o corpo, com a vida presente bem como com a vida futura. Ela faz referência não só à remissão da penalidade do pecado e à remoção de sua culpa, mas também à conquista do hábito do pecado e a remoção final da presença do pecado no corpo.

 

Na segunda carta de Paulo aos 2 Coríntios 1.10 encontramos claramente esses tês tempos aplicados:

 

 “O qual nos livrou (Passado) e livrará (Presente) de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos (Futuro)”.

 

 A Salvação é dada em três tempos e é para aquele que crê em Cristo, pois o que crê nEle está salvo, está sendo salvo e será salvo. Para entendermos melhor, será dividido os três tempos está mensagem:

 

 O primeiro tempo tratará quanto à justificação, ou seja, já fomos salvos.

 

  1. O Segundo tempo tratará quanto à santificação, desta forma, estamos sendo salvos.
  2. O terceiro tempo tratará quanto à glorificação, ou seja, seremos salvos.

 

De acordo com essa divisão, nós já fomos salvos, estamos sendo salvos e ainda seremos salvos.

 

  1. Quanto à justificação, o homem já foi salvo – Romanos 8.1

 

 “Agora, pois, já nenhuma condenação há para o que estão em Cristo Jesus ”.

 

 A bíblia é a nossa regra de fé e prática, a palavra de Deus é nossa fonte de conhecimento. Para entendermos a palavra de Deus, precisamos explicá-la pela própria palavra de Deus.

 

Na palavra do nosso Senhor encontramos que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Não há justo, nem um sequer. Não existe na face da terra um ser humano que possa dizer que é justo.

 

Todos são culpados, e Deus não inocentará o culpado. A alma que pecar, essa morrerá. Tanto os gentios que não tinham a Palavra de Deus quanto os judeus que a possuíam estavam de igual forma condenados.

 

Os gentios estavam condenados pela lei da consciência, e os judeus estavam condenados pela lei de Deus. O argumento de Paulo é que pelas obras da lei ninguém será justificado diante de Deus.

 

A confissão de Fé de Westminster no capítulo XI:

 

 Sessão I “Aqueles a quem Deus eficazmente chama, também livremente justifica[1]; não por infundir nele justiça, mas por perdoar seus pecados e por considerar e aceitar suas pessoas como justas; não em razão de qualquer coisa neles operada ou neles feita, mas unicamente em consideração da obra de Cristo; não por imputar-lhes para justiça própria fé, o ato de crer, ou qualquer outra obediência e satisfação de Cristo[2], quando eles recebem e nele e em sua justiça repousam pela fé; fé esta que não possuem em si mesmo, pois que é um dom de Deus[3]

 

Todos aqueles, e somente aqueles a quem Deus eficazmente chama, também gratuitamente justifica. Essa justificação é um ato de Deus puramente judicial, na qualidade de juiz, pelo qual ele perdoa todos os pecados do crente, e o julga, o aceita e o trata como uma pessoa justa a luz da lei divina.

 

Esse ato justificador procede da imputação ou do ato de Deus lançar, em favor do crente, o crédito da justiça de seu grande Representante e Fiador, Jesus Cristo.

 

O que o homem não podia tornar-se justo diante de Deus, Ele o fez, enviando o Seu Filho ao mundo como nosso representante e fiador. Jesus levou no Seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades.

 

Deus fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos. Ele foi feito pecado por nós para que fossemos feitos justiça de Deus. Cristo na cruz, pagou a nossa dívida. Agora, estamos livres da culpa do pecado e justificados diante de Deus, não tendo mais nenhuma condenação sobre nós.

 

A justificação é um ato e não um processo. Não acontece em nós, mas no tribunal de Deus. É um ato legal, quando Deus, em virtude da justiça de Cristo imputada a nós, declara-nos justos.

 

Todos os salvos estão justificados de igual forma. Já não há mais nenhuma condenação, para aqueles que estão em Cristo Jesus.

 

Mas o ato da justificação de Deus através de Cristo Jesus, produz no cristão a santificação.

  

  1. Quanto à santificação, o homem está sendo salvos – Filipenses 2.12,13

 

 “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”.

 

 Se a salvação é um fato consumado, também é um processo. Desde que fomos regenerados e justificados pela fé em Cristo, somos transformados progressivamente à imagem de Cristo.

 

O propósito eterno de Deus não é apenas nos levar para a glória, mas nos transformar à imagem do Rei da glória. Deus nos salva não no pecado, mas do pecado. Deus nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis, nos escolheu para a salvação pela fé na verdade e santificação do Espírito. Sem santificação, ninguém verá o Senhor, visto que só os puros de coração verão a Deus.

 

Mais uma vez utilizaremos da mais concisa declaração da fé cristã, a Confissão de Westminster, no capítulo XIII:

 

 Seção I “Os que são eficazmente chamados e regenerados, havendo sido criado neles um novo coração e um novo espírito, são além disso, santificados genuinamente e pessoalmente, pela virtude da morte e ressureição de Cristo[4], por sua palavra e seu espírito nele habitando[5]; o domínio de todo o corpo do pecado é destruído[6]e suas diversas concupiscência mais e mais enfraquecidas e mortificadas[7]e ele mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvíficas[8]para a prática da genuína santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor[9]

 

 A prova de que uma pessoa foi justificada é se ela está sendo santificada. Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, uma pessoa salva é conhecida pela sua vida transformada. A eleição divina de forma alguma nos destina a uma vida de relaxamento moral. Deus nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis[10]

 

Todos aqueles em quem Deus, através da regeneração, criou uma nova natureza espiritual, continua sob sua graciosa influencia, sua Palavra e o Seu Espírito habitam neles e assim possuem neles implantada a graça que se desenvolve mais e mais.

 

Essa obra de santificação envolve tanto a gradual destruição do velho corpo do pecado quanto a vivificação e fortalecimento de todas as graças no novo homem, a purificação interior do coração e mente.

 

Essa obra de santificação envolve o homem todo, seu intelecto, emoções e vontade, alma e corpo.

 

O santificar de acordo com as Escrituras é transformar o homem, pois o homem é consagrado ou separado do uso comum para o uso sacro[11]. Ele torna o moralmente puro ou santo.

 

Pela santificação vamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo, nosso Senhor. Deus mesmo, pela obra do Espírito Santo, vai esculpindo em nós a beleza de Cristo.

 

A santificação é um processo, que começa na justificação e termina na glorificação.

  

  1. Quanto à glorificação, seremos salvos – 1 Tessalonicenses 4.17

 

 “Depois, nós, os vivos, os que ficamos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”.

 

 A nossa salvação está consumada na justificação. É um processo na santificação e é uma obra futura na glorificação. Assim, podemos dizer que já fomos salvos, estamos sendo salvos e seremos salvos.

 

Embora na mente e nos decretos de Deus a nossa glorificação seja um fato absolutamente seguro[12], ela se concretiza na segunda vinda de Cristo, quando os que dormiram em Cristo ressuscitarão com um corpo glorificado e os que estiverem vivos serão transformados e arrebatados para o encontro com o Senhor nos ares[13].

 

As primeiras coisas, então terão passado, pois já não haverá mais pranto, nem luto, nem dor[14].

 

A glorificação é a consumação da nossa redenção, quando receberemos, na segunda vinda de Cristo, um corpo novo, incorruptível, glorioso, poderoso, semelhante ao corpo da glória de Cristo. Então, reinaremos com Cristo, pelos séculos sem fim, desfrutando das venturas celestiais.

 

Na justificação fomos salvos da condenação do pecado, na santificação estamos sendo salvos do poder do pecado e na glorificação seremos salvos da presença do pecado.

 

Oh! Que gloriosa salvação! Bendito seja Deus!

 

Reinaremos com Cristo para sempre e nos deleitaremos nEle por toda a eternidade.

 

 Conclusão

 

 Pode concluir que os três tempos da salvação estão divididos da seguinte forma:

 

 No passado, Justificação – Salvação da Penalidade do pecado

 

No presente, Santificação – Salvação do poder do pecado

 

No futuro, Glorificação – Salvação da presença do pecado

 

 Somente em Cristo temos a solução espiritual para o passado, o presente e o futuro. Somente Ele pode libertar do passado, dar o significado no presente e a garantia para o futuro.

 

Noutras palavras: passado redimido, presente consentido e futuro garantido.

 

Quanto a justificação, já fomos salvos, quando cremos em Cristo. Quanto a santificação, estamos sendo salvos, à medida que progressivamente estamos sendo transformados à imagem de Cristo. Quanto a glorificação, seremos salvos, visto que, na segunda vinda de Cristo, seremos transformados e receberemos um corpo de glória para reinarmos com Jesus para todo o sempre.

 

O Deus que justifica, também santifica e finalmente glorifica.

 

 [1]Romanos 8.30

 

[2]Romanos 4.5-8

 

[3]Atos 10.44

 

[4]I coríntios 6.11

 

[5]2 Tessalonicenses 2.13

 

[6]Romanos 8.13

 

[7]Gálatas 5.24

 

[8]Colossenses 1.11

 

[9]2 Coríntios 7.1

 

[10]Efésios 1.4

 

[11]João 10.36

 

[12]Romanos 8.30

 

[13]1 Tessalonicenses 4.13-18

 

[14]Apocalipse 21.1-4

 

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